Akasha - O Cinco e A Discórdia

terça-feira, 20 de maio de 2008



AKASHA


Se você encontrar Éris na rua, mate-a.

Construindo o conceito de número

Foi contando objetos com outros objetos que a humanidade começou a construir o conceito de número.
Para o homem primitivo o número cinco, por exemplo, sempre estaria ligado a alguma coisa concreta: cinco dedos, cinco peixes, cinco bastões, cinco animais, e assim por diante.
A idéia de contagem estava relacionada com os dedos da mão.
Assim, ao contar as ovelhas, o pastor separava as pedras em grupos de cinco.
Do mesmo modo os caçadores contavam os animais abatidos, traçando riscos na madeira ou fazendo nós em uma corda, também de cinco em cinco.


Para nós, hoje, o número cinco representa a propriedade comum de infinitas coleções de objetos: representa a quantidade de elementos de um conjunto, não importando se trata de cinco bolas, cinco skates, cinco discos ou cinco aparelhos de som.
É por isso que esse número, que surgiu quando o homem contava objetos usando outros objetos, é um número concreto.




Diz a Tradição que o mundo material é constituído por quatro elementos: Terra, Água, Ar e Fogo[1], mas em se tratando dos seres vivos tem que ser considerado um quinto elemento Akash que é equivalente à luz. Sem a luz a matéria orgânica não se constitui, haja vista que o mundo animal depende dos vegetais que sintetizam os compostos orgânicos pelo processo de fotosíntese a partir da luz solar.

A estruturação inorgânica do mundo está diretamente ligada ao mistério quatro enquanto que a estruturação orgânica pertence ao mistério cinco.

Um quaternário muitas vezes pode se apresentar com uma estrutura de 3 + 1. Quando isto acontece ocupa uma posição especial, ou é dotado de uma natureza diferente das outras.[2]

O mesmo acontece com o cinco, muitas vezes uma coisa é constituída de 5 elementos de uma mesma natureza, mas há vezes em que é constituído de 4 elementos de uma natureza e 1 de natureza diversa (4 + 1).

Assim acontece no que se refere à natureza orgânica. A matéria orgânica tem em sua constituição os 4 elementos básicos; o sólido (terra = minerais); água (líquidos orgânicos, humores); ar (em todos os compartimentos do organismo existe ar); o fogo (calor orgânico - calor dos processos metabólicos, reações exotérmicas, reações de substancias que desprendem calor à calor animal).

O que estabelece a diferença entre o inorgânico (sem vida·) e o orgânico (com vida) é a energia luminosa. Esse quinto elemento unindo-se aos 4 elementos básicos (4 + 1) faz com que a natureza das coisas se modifique, apresente-se a manifestação vital. Quatro elementos de nível mensurável, une-se a um quinto não medível por vias comuns. O quinto elemento confere ao quatro características especiais, determinando um outro tipo de manifestação da criação.

Toda vida orgânica na terra depende da fotosíntese que ocorre no reino vegetal. O reino animal não existiria sem a fotosíntese que se processa no reino vegetal.

Vimos que no quaternário constitutivo do mundo material quando a ele se soma mais um elemento, transformando-o em quinário, há mudança de natureza. Isto é valido para todos os números, quando uma unidade é acrescida à natureza de uma manifestação há mudança de natureza.

Quando o inconscientizavel recebe um segundo valor ( polarização ) se torna conscientizavel gerando o três. Se ao conscientizavel ( três ) for adicionado algo que o torne quatro surge o mundo denso, a matéria inorgânica. Por sua vez, quando ao quatro adiciona-se mais um surge a matéria orgânica (cinco); com mais uma adicionado o cinco surge o seis que é o mundo das transformações que opera sobre o cinco. Mais uma unidade e teremos a natureza constitutiva do universo, a vibração com suas leis. Mais uma unidade e surge o oito representativo da orientação. A natureza em sua manifestação requer direcionamento, orientação, campo expresso no mistério oito, como veremos num tema futuro. Veremos que tudo aquilo que diz respeito à orientação está ligada ao oito. Mais uma unidade e chegaremos ao mistério do nove que rege a manifestação da vida como um todo.

São cinco as funções básicas do organismo - Respiração, digestão, circulação, excreção e reprodução assim como também são cinco as funções psíquicas básicas e os sentidos físicos. Esse elemento está presente em praticamente todo reino, animal e humano.

Desta maneira, no organismo o número cinco está manifesto em 3 grupos essenciais:

  • FUNÇÕES ORGÂNICAS: Respiração, Digestão, Circulação, Excreção, Reprodução
  • SENTIDOS: Visão, Olfação, Audição, Paladar, Tato
  • PSIQUISMO: Inteligência, Razão, Intuição, Memória, Sentimento


Qualquer que seja a manifestação, e, ou função no organismo, ela sempre está enquandrada num dos três níveis. Ou se trata de uma função motora, Função Orgânica (nível HOD - NETZACH), ou de uma função sensitiva - SENTIDOS - (nível GEBURACH - KJESED), ou intelectiva (nível BINAH - KJOKHMAH) e dentro de cada nível em cinco aspectos.

Numa pessoa tudo o que diga respeito às funções orgânicas estão enquadradas em um dos cinco grupos citados, da mesma maneira tudo o que diga respeito às sensações e ao psiquismo também num dos grupos sempre está compreendido em uma das cinco funções mencionadas.

No reino humano não existem outros sentidos físicos além desses cinco. No reino animal essa também é a regra geral. Mesmo existindo animais dotados de sentidos diferentes desses mencionados, mesmo assim são sempre totalizados em cinco. Se um determinado animal tem algum órgão sensorial diferente por certo algum dos sentidos humanos está ausente nele. De acordo com a necessidade numa espécie pode haver algum órgão sensorial que o homem não possui, mas, por sua vez, este possui algum que aquele não possui.

O número cinco é considerado símbolo do desenvolvimento da humanidade porque o que possibilita a constituição de uma sociedade são os cinco sentidos. Sem os sentidos não haveria integração entre as pessoas, consequentemente resultaria a impossibilidade de estruturação social. Basta a carência de um órgão para que uma pessoa deixe de manter algum tipo de interação, independentemente de qualquer segregação, ou discriminação. Uma pessoa que não possui audição por certo não participa de um concerto, de uma audição musical e coisas assim. Ela se exclui por não poder usufruir como as demais pessoas. Muito mais seria um surdo e cego. Uma pessoa sem paladar não se integra com outras pessoas para um almoço, por exemplo.

É fácil se perceber que se alguém hipoteticamente não tivesse sentido algum por certo seria inviável sua existência, até mesmo o viver seria praticamente impossível. Por isso é que podemos dizer que são os sentidos físicos que integram a pessoa formando uma sociedade e esta uma humanidade. Os sentidos são janelas através das quais o ser tanto no que diz respeito à vida material quando à espiritual se abre ao mundo exterior e se relaciona com o mesmo.

O templo interior de cada um tem nos sentidos instrumentos através dos quais a pessoa registra todas as impressões recebidas do mundo exterior.

Já dissemos, numa palestra anterior, quando falamos no desenvolvimento espiritual na escala animal, que para se desenvolver o espirito requer como meta reconhecer o Superior. Para tanto ele tem que saber separar o mal e o bem, em outras palavras, através de encarnações sucessivas ele aprende a reconhecer a escala do mal e do bem e assim sentir necessidade de se posicionar na polaridade do bem. São precisamente os sentidos físicos que dão as sensações do desagradável e do agradável e assim sendo através de sucessivas encarnações na escala animal o espirito em grande parte levado pelos estímulos dos sentidos físicos começa a entender que há uma escala de mal e de bem, do que é desagradável e do que é agradável. Os sentidos fazem com que o sentido da caminhada se faça do desagradável ao agradável, do sofrimento ao prazer, do mal ao bem, da trela à luz.

Vemos que os sentidos físicos não só têm uma função material, eles têm também função espiritual, por isso como são cinco, este é o número serve com símbolo do desenvolvimento espiritual.

Queremos salientar, cada sentido se apresenta em cinco aspectos. São cinco as sensações gustativas, (cinco sabores básicos): salgado, amargo, ácido, picante, e doce. Também são cinco as sensações táteis: temperatura (quente/frio), densidade (mole duro), maleabilidade (rigidez/flexibilidade/fluidez), aspereza (macio/rugoso) textura (fofo / não fofo). Cinco são os odores básicos, mas na língua portuguesa não existem palavras bem especificas para eles. Usam-se mais termos de analogia, como sejam: odor azedo, adocicado, almiscarado, acre (acido) e pútrido.

Cinco percepções visuais básicas: cor, dimensão (tamanho), forma, (amorfo / não amorfo), simetria (relações comprimento, largura, altura), proporcionalidade.

Cinco as sensações auditivas (aqui também em português faltam palavras que definam bem os tipos de percepção auditiva): Intensidade (fraco/forte), timbre (rouco/ estridente)......... (suavidade/ rudeza), harmonia, e melodia.

Como mostram alguns sistemas orientais existem cinco tipos, cinco formas de respiração patológicas: Respiração cavernosa, estertorosa, estridulosa, anfórica, assim como também cinco tipos de respiração não patológicos: Respiração padrão (normal), pulmonar alta, pulmonar baixa, abdominal, diafragmática. Os orientais, cultores da Ioga citam também cinco tipos especiais de respiração.

O organismo (vide tabela) só possui cinco funções orgânicas básicas, assim como funções psíquicas básicas. Por sua vez cada função se apresenta em cinco níveis. Não vamos cita-las todas para não prolongar muito essa palestra, mas apenas mencionar os sentimentos: cólera, prazer, alegria, dor, amor. Por sua vez existem cinco formas de amor, cinco de prazer, cinco de alegria, cinco de dor e cinco de amor.

O organismo só dispõe de cinco vísceras: rins, pulmões, baço, fígado, coração.


As direções

Já se pode perceber que praticamente todas as funções do organismo baseiam-se segundo o mistério cinco.

Vale salientar que sem relação com o indivíduo as direções num plano (superfície) superficiais são quatro: Norte, sul, este, oeste, mas quando diz respeito à pessoa acrescenta-se mais uma o centro. Para a pessoa não são apenas quatro as direções possíveis numa superfície[3] e sim cinco: para frente, para trás, para a direita, para a esquerda e também para o centro. Norte, sul, este, oeste e centro.

São 5 as qualidades do homem perfeito: Bondade, justiça, amor, sabedoria, verdade. Por sua vez são cinco os tipos de bondade, de justiça, de amor, de sabedoria e de verdade.[4]



Jesus, o ideal de perfeição, tem um nome com cinco letras e é curioso que na quase totalidade das línguas acontece o mesmo. No próprio hebraico nome JESUS é escrito: Iod, hé, shin, vav, hé.

Com 5 pães Jesus saciou a fome de 4 mil pessoas.
Os celtas citavam cinco elementos na natureza, Lasa, matéria dura; Gwyar, matéria úmida; Fun, matéria gasosa; Ufel, matéria ígnea; Nwyvre, éter, matéria astral.

A Bíblia inicia com o Pentateuco: Gênese, Êxodo, Levitico, Números e Deuteronômio atribuídos a Moisés.

Como dissemos antes, o quatro é o numero do mundo material, inorgânico ao passo que cinco é o número da matéria orgânica e da matéria liquida, em especial a água.

Linus Pauling, prêmio Nobel de Química, e Bernal, evidenciaram que as moléculas de água são "agrupadas" segundo uma simetria da ordem 5, isto é, segundo uma estrutura pentaédrica o que explica a razão pela qual a água "escoa". Os cientistas Piccardi e Giao estabeleceram que essa estrutura peculiar da água é a razão pela qual as moléculas são sensíveis aos campos de forças do universo, o que faz da água, em relação ao número cinco, o intermediário entre as forças cósmicas e os seres vivos.

Não existe qualquer cristal que tenha simetria cinco, enquanto isto somente a matéria viva e os líquidos que contêm água estão particularmente ligados ao número cinco, enquanto os sólidos e matéria morta[5] apresentam relações com os números inferiores ao cinco.

Em física nuclear jamais evidenciou núcleos atômicos estáveis possuindo cinco partículas, enquanto existem núcleos, mesmo que instável para todos os números até 275. Os núcleos de hélio ou de lítio com cinco partículas explodem quase antes de se terem formado. A ciência não sabe porque. Por outro lado a natureza biológica é muito pródiga na simetria 5. Há numerosas formas vivas com essa simetria cinco, a estrela do mar é uma delas, mas existem inúmeras outras assim como muitas flores.

No universo só existem quatro dimensões, falam-se em N dimensões, mas até agora somente 4 foram conhecidas. Nunca se teve idéia da existência da quinta. Isto é decorrência de uma lei universal, o cinco é o numero dos líquidos e do orgânico. Mais uma vez evidenciamos que no universo existem 3 dimensões que tem uma mesma natureza, a quarta é de natureza diferente, é o tempo.

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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br


Notas:

[1]
- Fogo no sentido de chama. A ciência atual considera 4 estados da matéria: Solido, líquido, gasoso e plasma. O plasma corresponde exatamente á chama do fogo. Deve ser incluído mais um elemento: Akash

[2]
- Já mostramos que muitas vezes o três se apresenta como uma tríade constituída de uma mesma natureza. Por exemplo: Pai - Mãe - Filho, mas na maioria das vezes o terceiro elemento é de natureza diferente dos dois outros. O segundo elemento de uma tríade sempre tem a mesma natureza do primeiro elemento; o dois nada mais é do que a polarização do um, portanto é o próprio um e vice-versa, mas quando polariza surge o três, o terceiro elemento. Acontece que nem sempre ele tem a mesma natureza, aliás quase tem essência diferente e via de regra é de natureza abstrata, imponderável. Vejamos como exemplo: 1- grande - 2 pequeno ( algo concreto ) 3 - idéia de beleza ( abstrato ). 1 Feio, - bonito ( algo concreto ), 3 - idéia de beleza ( abstrato). Enquanto o tamanho pode ser medido por dizer respeito à algo concreto o terceiro elemento que é uma idéia daquilo não pode ser medido por ser abstrato. A grandeza de algo, representado por grande e pequeno é material, tem existência que pode ser medível, pesável ou contável, enquanto que o terceiro elemento que é a idéia não pode sê-lo por se tratar de algo abstrato, apenas subjetivo.

[3]
- Citamos superfície porque em relação ao espaço surge o para cima e o para baixo, que já envolve um outro mistério.

[4]
- Deixamos intencionalmente de mencionar as subdivisões para que possam por si mesmos descobri-los. Isto é um bom exercício mental para aquilatar o grau de compreensão e a capacidade de recepção intuitiva.

[5]
- Na realidade, a rigor não existe matéria morta/ no universo tudo tem vida.